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Sorrisos que Cuidam fortalece a formação médica com escuta, presença e vínculo

  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Na 3ª edição do Jornal da Faculdade de Ciências Médicas de Três Rios, a professora Giuliana Fernandes compartilha a trajetória e os impactos do projeto Sorrisos que Cuidam, uma iniciativa desenvolvida na FCM/TR que promove o acolhimento e o apoio emocional a pacientes e grupos em situação de vulnerabilidade. 


Criado a partir da iniciativa dos próprios estudantes, o projeto fortalece a formação humanizada dos futuros médicos, mostrando que o cuidado vai além da assistência técnica e se manifesta, também, por meio da escuta, da empatia e da presença. Nesta entrevista, a docente fala sobre a origem do projeto, as experiências vividas durante as visitas e as transformações proporcionadas tanto às pessoas atendidas quanto aos acadêmicos que participam da ação. 



Entrevista – Professora Giuliana


1. Professora, qual é a sua atuação no projeto Sorrisos que Cuidam?

Como orientadora do projeto, atuo na coordenação e organização das atividades, acompanhando os estudantes desde o planejamento até a execução das ações. Também participo diretamente das visitas, orientando-os quanto à abordagem com os pacientes e às atividades que eles previamente ensaiaram e elaboraram.


2. Como surgiu a proposta do projeto dentro da instituição?

O projeto surgiu a partir de uma discussão durante uma reunião do Programa Mentoring, que acompanha a trajetória acadêmica dos estudantes ao longo da graduação. Eu atuo como mentora e, em um desses encontros, alguns estudantes trouxeram uma inquietação muito interessante: a necessidade de vivenciar, na prática, uma formação médica mais humanizada.

Esse grupo, que na época estava no 1º período, compartilhou o desejo de ter experiências que envolvessem mais escuta, empatia e conexão com o outro, para além do conteúdo técnico. A partir dessa conversa, a ideia foi ganhando forma e eles me convidaram para, juntos, estruturarmos o projeto. Assim nasceu o Sorrisos que Cuidam, muito alinhado a essa iniciativa e à sensibilidade dos próprios estudantes.


3. O projeto tem como foco o apoio emocional a grupos vulneráveis. Como esse objetivo se traduz na prática durante as ações?

Na prática, isso acontece por meio de pequenas atitudes que fazem muita diferença: uma conversa, um momento de escuta, atividades lúdicas, música e interação. É um momento de estar presente com acolhimento, percebendo as emoções, interagindo, ouvindo histórias e compartilhando sorrisos.


4. Como funcionam as atividades realizadas pelos alunos durante as visitas?

As atividades são planejadas previamente, mas sempre com espaço para adaptação conforme o ambiente e o público. Durante as visitas, os acadêmicos interagem com os pacientes por meio de conversas, dinâmicas, brincadeiras, quando possível, e ações que promovem acolhimento. Tudo é feito com muito respeito ao contexto de cada pessoa e de cada instituição que recebe o projeto.


5. Que tipo de transformação vocês já conseguem perceber nas pessoas atendidas? Existe algum retorno da comunidade que tenha marcado a equipe?

Percebemos mudanças principalmente no estado emocional das pessoas. Muitas ficam inicialmente mais retraídas e, ao longo da interação, vão se mostrando mais abertas.

Recebemos retornos muito especiais da própria equipe do hospital. Alguns profissionais já perguntam quando vamos voltar, brincam que somos os "Doutores da Alegria" e comentam como a visita traz um pouco mais de leveza para a rotina.

Um momento que me marcou bastante foi o de um paciente em pré-operatório que, segundo a equipe, estava mais quieto. Quando chegamos e começamos a interagir, ele cantou conosco e acabou se emocionando. São situações simples, mas que mostram, na prática, o quanto o cuidado humanizado realmente faz diferença.

Acredito que nós ganhamos até mais do que aqueles que visitamos e somos profundamente marcados por essas interações.


6. De que forma o projeto contribui para a formação de médicos mais humanizados?

Acredito que o projeto proporciona aos estudantes uma vivência diferente daquela da prática curricular, na qual muitas vezes o olhar está mais voltado para os aspectos técnicos e clínicos.

Aqui, eles têm a oportunidade de experimentar um cuidado que não está nos livros. Não se trata de examinar, levantar hipóteses ou prescrever, mas de estar presente. É um momento de enxergar e se conectar com o outro sem a pressão do diagnóstico, valorizando a escuta, a empatia e a sensibilidade. Isso acaba refletindo diretamente na formação, tornando os estudantes mais conscientes da importância desse olhar no cuidado com o paciente.


7. O que muda no comportamento ou na percepção dos alunos após a participação?

Acredito que cada estudante poderia trazer um relato diferente, mas, na minha percepção, vejo um crescimento acontecendo ao longo da participação no projeto.

Tive a oportunidade de acompanhar estudantes desenvolvendo uma comunicação mais segura, permitindo-se mais durante as dinâmicas e se expondo com mais naturalidade, seja para arrancar uma gargalhada de uma criança ou para criar uma conexão genuína com alguém.

São pequenas superações individuais que fazem diferença e, com o tempo, eles passam a valorizar ainda mais o vínculo com o paciente. Às vezes, esse gesto pode ter um impacto tão importante quanto uma conduta técnica.


8. Existe alguma história ou experiência vivida no projeto que represente bem o impacto do Sorrisos que Cuidam?

Já realizamos ações em um educandário, em uma instituição de longa permanência para idosos e em um hospital. Em diferentes cenários, temos a oportunidade de proporcionar um instante de leveza. Às vezes, uma simples conversa ou uma atividade é capaz de fazer um paciente sorrir em um dia muito delicado. Isso reforça, para todos nós, que o cuidado vai muito além do tratamento.

Além das vivências com os pacientes, um momento muito significativo foi quando os próprios acadêmicos decidiram deixar uma marca do projeto, personalizando um jaleco com mãos coloridas. Outro momento especial foi quando apresentaram o primeiro ensaio da música composta para o Sorrisos que Cuidam. Foram experiências que fortaleceram o sentimento de pertencimento e a identidade do grupo.


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